segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Papo de Especialista - Depressão pós-parto: o que precisamos saber?

Desde a gestação é sabido que a mulher passa por diversas mudanças, desde as físicas e hormonais até sociais e emocionais. Já falamos anteriormente sobre o baby blues – aquela alteração na condição emocional da mãe que lhe traz tristeza, irritabilidade, indisposição dentre outros sintomas – e que nem sempre é reconhecido pelas pessoas próximas como um sofrimento de fato.

Para além do baby blues, temos ainda que falar da Depressão Pós-parto (DPP), um quadro mais intenso em relação à sintomatologia e significativo na perda de qualidade de vida da mãe, do bebê e das pessoas que lhe cercam. A intensidade dos sintomas da DPP em relação ao baby blues é muito maior.


A DPP acomete cerca de 10 a 20% das mulheres, sendo considerado qualquer episódio depressivo que ocorra após as semanas ou meses do nascimento do bebê. Os sintomas incluem: humor deprimido, perda de prazer e interesse nas atividades, alteração do peso e/ou apetite, alteração do sono, sentimento de inutilidade ou culpa e até mesmo pensamentos de morte ou suicídio.

Muitas vezes também há um quadro de ansiedade grave combinado ao quadro de Depressão Pós-parto, o que desmistifica um pouco a ideia de que a pessoa deprimida somente se apresenta com as características de tristeza absoluta.

A DPP é um quadro com intensidade de moderada a grave e quanto mais cedo for diagnosticado, melhor será a recuperação da mãe, assim como a construção de uma relação mais saudável desta com seu bebê. O auxílio da medicação é fundamental.

Sabe-se o quanto é difícil organizar a nova rotina em casa a partir da chegada do bebê, “sair para se cuidar” é sempre mais difícil, mas no caso de Depressão Pós-parto não há tempo a perder, o cuidado à mulher será imprescindível para que ela recupere sua condição emocional, previna a cronicidade da Depressão e consiga construir uma relação saudável e favorável com seu bebê e as pessoas próximas a ela.


Como fica a relação mãe-bebê, na Depressão pós-parto?

É muito difícil para a mãe que está com depressão, estabelecer uma relação com o bebê que seja saudável. Isso porquê dentre os sintomas da depressão pós-parto, há necessariamente uma tristeza profunda, e quando triste, a mãe fica voltada para si mesma, não sendo possível a interação ou “troca” no relacionamento com o bebê.

Muitas vezes não consegue “enxergar” o bebê, ou seja, reconhecer o que ele precisa e corresponder a estas necessidades. Mas é muito importante saber que isso não é por falta de amor ou de preocupação, mas são os sintomas da Depressão Pós-parto que a impedem de vivenciar este momento da maternidade com todas as suas exigências.

E o que seriam essas exigências? O bebê de certa forma exige da mãe o cuidado, a atenção, o carinho, além todas as tarefas básicas para sua sobrevivência: a alimentação, a higiene, a proteção das trocas de fraldas, banhos, roupas, etc. Não é uma tarefa fácil por si só, com a Depressão Pós-parto então, tudo isso fica muito difícil, quando não, impossível.


O que é preciso fazer para melhorar?

Dois cuidados são fundamentais neste processo para que a mulher consiga se recuperar e sair deste quadro. Primeiramente o apoio tanto do companheiro – quando há um companheiro – como da família. É importante que a informação sobre este quadro seja clara para que as pessoas ao redor da mãe possam oferecer-lhe ajuda, sem julgamentos de qualquer tipo que seja. Como falamos anteriormente, a Depressão Pós-parto é um quadro psicológico e psiquiátrico, portanto não é uma escolha da mãe. Ela não quer ficar deprimida!!

O segundo ponto que precisamos falar é sobre a procura dos profissionais psicólogo e psiquiatra. O psicólogo irá trabalhar as possíveis causas e questões emocionais que podem ter favorecido que o quadro se instalasse, bem como todas as necessidades que estejam presentes, auxiliando a mulher a encontrar suas próprias respostas para o enfrentamento e saída deste quadro. Já o psiquiatra irá trabalhar atenuando e extinguindo os sintomas que a Depressão traz, através de medicação. São dois cuidados que são diferentes, porém complementares. Ambos são fundamentais no tratamento deste quadro.

Além disso, há também grupos de apoio às mulheres com DPP, os quais podem ser muito favoráveis no processo de melhora. Todo tipo de ajuda que for entendido pela própria mãe como algo possível de ajuda-la, deve ser considerado. A ajuda profissional, familiar e social será muito importante neste contexto, é quase que um trabalho “de equipe”. Não deixe de procurar e não deixe para depois!