segunda-feira, 18 de abril de 2016

Não quero voltar para o mercado de trabalho e deixar de ver meus filhos crescerem. O que eu faço?

Se há uma dúvida agoniante que atravessa gerações de mulheres é a escolha entre carreira ou acompanhar de perto o crescimento dos filhos. Não, eu não estou dizendo que você precisa escolher e que é certo ficar em casa ou qualquer coisa do tipo, mas a maioria de nós repensa a vida que leva quando a maternidade chega.


A maior parte das empresas não está preparada para as demandas de flexibilidade que uma família precisa, por isso só o que observam são nossas faltas, atrasos, cobranças e tudo isso muitas vezes termina na nossa demissão pós-parto.

Nesse momento, o empreendedorismo surge como uma opção importante para que nós não tenhamos que abandonar nossos sonhos por completo, oferecendo mais espaço para gestão e controle do nosso tempo.

Parece lindo né? Calma, ser empreendedor é bem difícil também, não é nenhum mar de rosas e muitas vezes levamos meses e até anos para começarmos a lucrar, ou seja, ter um salário. Por isso, para escolher ter um negócio próprio você precisa amar o que você vai fazer e abrir mão de muita coisa por esse projeto. Será que você está preparada?


Para nos ajudar a responder essa pergunta, começa hoje uma série de entrevistas com mães empreendedoras que vão nos contar sua experiência sem floreios, a verdade sobre ser mãe e ter um negócio.

Thiara Ney – Proprietária da Tuty


A nossa entrevistada de hoje é a pessoa que me encorajou a ser empreendedora, que me mostrou que eu podia muito mais do que eu achava que conseguiria. Ela é gente como a gente, com uma diferença, ela arrisca tudo por seus sonhos mesmo com medo. Ela tem 32 anos, é jornalista e mãe da Alice, uma fofurinha de três anos. Ela é proprietária da Tuty uma empresa de multi-entregas, atua com design de qualidade para festas, comunicação visual para empresas e formação de empreendedoras que buscam abrir um negócio no segmento de papelaria para festas. A Thiara já era empresária antes de sua filha nascer, por isso ela vai contar para a gente como foi lidar com a maternidade já sendo uma empreendedora.


1) Como você se tornou empreendedora?

Acho que eu sempre fui. Desde a infância sempre me vi rodeada de atividades empreendedoras, como vender quadrinhos de bordados, chinelos decorados com miçangas e caixas de papel cartão. Durante a faculdade, paguei algumas mensalidades vendendo cachecóis de linha para as amigas. Mesmo com uma carreira em ascenção, o empreendedorismo não saiu de mim, e ainda empregada comecei a costurar e fiz um site para vender minhas bolsas. Dali para me tornar completamente insatisfeita com meu trabalho pricipal foi um pulo, afinal eu tinha descoberto que existia outra forma de viver, e ficar fechada 10 horas ou mais por dia em um escritório se tornou um castigo.

2) Como foi lidar com a gestação sendo dona do próprio negócio?
Difícil. Quando descobri que estava grávida eu tinha ganhado uma consultoria em gestão, e estava no meio do processo. Tive que ouvir do consultor que aquele era o pior momento para engravidar. Mas será que algum momento seria bom para os negócios? Eu decidi que a empresa nunca estaria acima da minha vida. Ela seria parte da minha vida, e teria que andar lado a lado com todos os meus sonhos.
Tive que deixar de ir a pé para o escritório, porque era longe e eu não aguentava mais tanto exercício, tive que mudar a rotina de alimentação, e adaptar muitas outras coisas. Mas onde o bicho pegou mesmo foi quando a funcionária que iria substituir minhas atividades principais pediu demissão 15 dias antes de minha filha nascer. Foi um balde de água fria, aquela certeza de que eu realmente não poderia contar com ninguém e que teria que me virar, e que seria sempre assim. Foi difícil, mas cresci muito nas dificuldades. Antagonicamente, a empresa vivia sua melhor fase financeira.

3) Como foi equilibrar os primeiros meses de vida da sua filha, amamentação e a gestão da sua empresa?
Quando eu conto parece loucura, mas para mim funcionava bem. A Alice mamou no peito até 11 meses, até os 6 foi exclusivo, então eu vivia com ela pendurada em mim. Quando ela tinha 2 meses, consegui mudar o escritório para o prédio que eu morava, e tudo ficou bem mais fácil. Equipei minha sala com berço, trocador, cadeirinha de balanço e trabalhava com ela lá. Tinha mais 4 pessoas na equipe, mas muitas atividades eram feitas somente por mim, não pude me dar ao luxo de me ausentar por 4 meses (nem por 4 dias!). Às vezes ela se incomodava com o barulho do teclado do computador, então eu largava tudo, descia para o meu apartamento e relaxava. A noite, quando meu marido ou minha mãe chegavam, eu dava um jeito de terminar o que havia ficado pendente.

4) O que a maternidade trouxe de bom e o que ficou mais difícil como empresária?
A maternidade aumentou muito meu poder de negociação. É tanto treino, que me sinto perita em negociar. Também aumentou muito minha empatia, afinal, ser mãe realmente muda nossas bases, não é? E a minha maior dificuldade continua sendo o tempo. Eu gosto de trabalhar, gosto mesmo, e muitas vezes estou brincando de montar blocos e pensando no logo de uma cliente. Nos finais de semana, torço pela hora do cochilo, para correr para o computador. Eu queria conseguir ser duas, e me dedicar integralmente às duas atividades. Mas como não dá, a gente vai dividindo do jeito que consegue.

5) Quais as dicas que você daria para quem tem o próprio negócio ou é autônomo e está grávida ou com um bebê pequeno?

Vai dar tudo certo. Tá tudo bem.
Sério, esse é meu melhor conselho. A gente tende a querer ser bom em tudo, falo disso com propriedade, e muitas vezes acabamos entrando em parafuso por tanta cobrança. E nem é cobrança externa, é interna mesmo. Respeite-se. Respeite seus limites, não se prive do sono, nem dos pequenos momentos em família. Aproveite a flexibilidade para estar presente. Tente, na medida do possível, envolver seu filho nas atividades. Faça do seu trabalho um momento de prazer, que seja tão divertido que fique praticamente impossível separar o que é lazer e o que não é.

6) Quais são os seus projetos atuais?
Meu principal projeto para 2016 é lançar a primeira turma do Programa Tuty para Profissionais, um curso totalmente online para quem quer empreender no ramo de papelaria e não sabe por onde começar. As inscrições abrem em maio, no endereço www.tuty.com.br/curso