quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Como brincar com o seu filho - por Renata Amaral

Como brincar com uma criança? Muitas pessoas se perguntam e questionam sobre a melhor forma de brincar, como brincar, tudo de uma forma segura e divertida ao mesmo tempo.


O que aprendi, com meus 2 filhos:

1) Você não precisa ensinar uma criança a brincar, na verdade é a criança que nos devolve o instinto do brincar.
2) Quanto mais observadores formos, melhor para que as crianças entrem em contato com seus repertórios diários e melhor nós conseguimos nos colocar no seu próprio universo.

Uma vez, com minha filha, comecei a perguntar do que ela mais gostava de brincar comigo. Eu não sou a pessoa do movimento total, que corre, brinca, pula. Não sou a típica mãe de parquinho, que se empolga e sai correndo, girando, pulando.

A resposta da minha filha foi surpreendente, do alto dos seus 3 anos e 6 meses:

“Ah mamãe eu gosto quando você conta historinhas, de montar quebra-cabeça, de desenhar e de ver filmes”.

- E o que você gosta de brincar com o seu pai?

“Ah, de jogar bola, de correr, de pega-pega...”

Percebi o quanto era importante para ela que não perdêssemos a nossa natureza para poder brincar com ela. Poderíamos continuar sendo nós mesmos e sermos as crianças que provavelmente nós fomos um dia.

Retomando um ponto da coluna anterior, quando temos filhos, resgatamos um pouco da nossa infância. É dada a chance de revisitarmos as brincadeiras da infância e até de resolvermos questões internas.

É essa entrega íntegra e presente que faz com que as brincadeiras valham sempre a pena. Por isso a importância de viver o tempo presente e de não ficar só nas projeções do futuro.

Enquanto escrevo o meu filho mais novo brinca com um computador pequeno, reproduz o que a mãe está sentada fazendo. É a sua realidade atual. Quando está com o pai brinca de capoeira, imita o seu jogo. E assim construímos as nossas realidades, as nossas brincadeiras.

O brincar de uma criança sempre reproduz o mundo a sua volta, por isso é importante que ela se sinta parte deste contexto. Não se preocupe em construir uma realidade formatada para ela, pois quanto mais parte desse cenário ela fizer, menos excluída ela se sentirá. A criança não precisa de um mundo à parte, precisa ser parte do seu mundo.

9 comentários:

  1. Maravilha de artigo, fica tão facil assim entender e aprender com as crianças a ser Criança de novo e não impor nada é simplesmente ser. Não doe nada...hehehe.Parabéns.
    Luiz Antonio- Psicanalista Cooch self.

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    1. CaroLuiz, obrigada pelo seu olhar e comentario. Eh tao bom lermos um pouco sobre qyem nos le.
      Ate breve

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Re, teu texto é legítimo, sincero e real.
    Vejo isso no meu filho, que absorve o que tenho que dar a ele, e me dá um norte quando não estou dando o que deveria dar. Eles são nosso termometro do que podemos dar.
    Eles são grande professores, sem dúvida!
    parabens e beijo
    Lara - arte educadora

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    1. Lara, que lindeza ter seu retorno...
      Acho que quando observamos, estamos um pouco mais inteiros pra eles!!
      Beijos e obrigada pela visita.

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  4. Que delícia ler o seu texto Re, e perceber que precisamos ser a gente e agentes de um mundo transformador a partir do nascimento de um filho! Parabéns!

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    1. Ro, ser a gente e agentes é uma incrível observação.
      Emponderar as crianças para serem protagonistas de sua própria infância, sem crises e gourmetizações...
      Obrigada pela visita.
      bj

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  5. Renata, que belo texto. Me reconheço um pouco nele, mesmo que não no papel de mãe, mas de tia, muito presente. Inspira-me. Parabéns.

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  6. Não sou pai, mas seu texto me fez pensar sobre a simplicidade do brincar. As crianças acabam se tornando mais um daqueles chamamentos da vida para sermos mais simples e brincar.

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