terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Amo minha filha e amo ser mãe

Eu sei que o assunto não é tão recente, mas confesso que não consegui parar de pensar no que a Juliana Reis escreveu e no fato do sentimento dela ser tão negativo que ela chegou ao ponto de dizer que odeia a maternidade. Essa não é uma resposta ao post dela, respeito sua dor e desejo toda a força do mundo, mas é o meu ponto de vista diante de tudo.

Comigo é diferente, eu amo ser mãe e amo a maternidade e isso não quer dizer que é mais fácil para mim do que é para os outros. Não tenho ajuda, nenhum parente mora na minha cidade, meu marido trabalha e estuda a noite, quando fico doente, tenho que tirar forças de onde não tenho para continuar com todas as minhas obrigações. Fui demitida e não consegui me recolocar e ESCOLHI ficar mais tempo com minha filha e repensar a minha carreira.


Confesso que passei um período perdida e triste, porque a vida que eu amava tinha mudado muito e agora eu tinha que viver em função daquela pessoinha ali, um bebê que exigia muito e não me dava nada em troca (era o que eu achava). Daí caiu uma ficha, eu era uma pessoa mimada que não queria abrir mão de nada por ninguém, a maternidade representava tudo o que eu não faria mais e as mudanças que eu não queria na minha vida.

Só que tudo foi uma escolha, ser mãe, abandonar a carreira, meu obstetra cesarista, meu novo trabalho, colocar a Manu na escola quase que período integral e por ai vai, só que eu não percebia. Parecia que era tudo uma grande imposição e eu a vítima de uma vida que não tinha escolhido. Porém, todas foram opções minhas e eu tenho que aprender a lidar com as consequências nem sempre tão agradáveis assim.

É que daí eu já entro em uma coisa muito minha que é questionar muito essa necessidade de ser feliz o tempo todo e também de questionar o que é felicidade para mim. Há tanta beleza e alegria nas pequenas coisas da maternidade como o primeiro sorriso do bebê, os primeiros passinhos, primeiras palavras que tudo faz valer a pena o que tive que abrir mão.

Quem lê o meu blog sabe que eu não floreio a maternidade, tem dias que fico p... com um monte de coisas, com as mães perfeitas, com os julgamentos, com o mercado de trabalho, com o mundo machista e tantas outras coisas, mas nada disso me faz odiar a maternidade ou ser infeliz.

Eu sou uma pessoa melhor por causa da minha filha, mais humilde, mais caridosa, aprendi que o mundo não gira em torno do meu umbigo e que minhas necessidades não são as únicas do mundo.

As coisas simples da vida que antes não tinham importância ganharam outra cor, outro valor. O que eu não fiz por causa da Manu foi substituído pelo o que eu fiz, o sonho do mochilão pela Europa foi substituído pelo passeio no parquinho da praça e quer saber? Acho que me diverti muito mais com ela vendo os passarinhos.

Além disso, quem disse que eu preciso desistir de tudo? Quem disse que eu não vou viver todos os meus sonhos? Eles no máximo foram adiados, mas olha a Europa não vai sair do lugar e de repente eu ganho uma companheira de viagem para o meu mochilão.

Em minha opinião tem muita valorização do sofrimento e pouca das coisas boas, parece que a balança não se equilibra, mas isso não é verdade. Tudo depende de como você enxerga as coisas, de como você costuma ver a vida.

No meu caso, como eu sou Kardecista eu acredito que tudo o que acontece na minha vida ocorre para que eu aprenda e evolua, servir o meu semelhante é minha missão. Amo a minha filha e amo todas as dores e prazeres da maternidade, pois como diria Fernando Pessoa, tudo vale a pena se a alma não é pequena e a alma fica gigante quando nasce um filho. Não percamos tempo odiado o lado ruim das coisas a ponto de não curtir tudo que há de bom.

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