quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Colunista Convidada - É tempo de brincar

Quando pensei em escrever uma coluna para falar sobre brincadeiras, pensei que seria moleza, afinal brincar é tão fácil, tão simples...

Para escrever e falar sobre esse assunto a gente tem que mexer em algumas coisas que estão bem interiorizadas, precisamos rever a nossa própria infância. Como foi a sua? Pés no chão, muitos amigos? Amigos do prédio? Amigos da cidade dos avós? Os avós moravam por perto? Qual o cheiro que lembra a sua infância? A minha tem o cheiro de terra molhada.

Pegar o interfone e chamar os amigos pra brincar e descer (eu morei em prédio quase a minha vida inteira). Minha mãe botando hora para voltar pra casa. A gente implorando sempre por mais 5 minutos que viravam 20 e que nunca eram suficientes.

E agora convido você para olhar para o seu filho. O que se repete? O que é diferente? Quanto tempo ele tem para brincar?


Sabe aquela brincadeira livre e solta que a gente acha que não dá em nada? Essa é a mais importante, pois é ela que forma o caráter da criança. Faz com que ele aprenda a se posicionar diante dos amigos e diante da vida.

O livre brincar é fundamental principalmente na primeira e segunda infância onde as brincadeiras são nossas ferramentas internas e psíquicas para que cada indivíduo possa amadurecer e seguir em frente.

Entretanto, hoje em dia essa fase da vida da criança é tomada por compromissos pensados em tornar os pequeninos em adultos de sucesso (sem saber qual o sucesso está sendo planejado). Eles deixam de viver a vida de criança do presente e são precocemente colocados para viver e agir mirando o que serão no futuro. E esse futuro, que não chega tão rápido assim, cria e educa uma infância frustrada, com a sensação de ser insuficiente para o mundo e para a sua própria vida.

A criança precisa do espaço, do tempo do livre brincar e do brincar direcionado e mais ainda dessa "liberdade" da infância que só se vive uma vez na vida...

Então, deixa o menin@ brincar mais 5 minutinhos!!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Não desfralde o seu filho

Eu sei, o título parece estranho né? Como assim?!?! Pois é, mas eu repito, não desfralde o seu filho, a decisão dessa mudança na vida dos pimpolhos não cabem aos pais, não somos nós que decidimos quando isso deve acontecer e eu levei muito tempo para descobrir isso.


Depois que a Manu fez dois anos MUITA gente começou a questionar se ela não estava muito grande para ainda usar fraldas, se não estava feio no tamanho dela usá-las, porque eu não aproveitava o verão para o desfralde entre outras muitas perguntas chatas de quem acha que está ajudando.

Pois é, comecei a entrar nessa paranoia também, comecei achar que era falta de incentivo da minha parte, eu não estava conseguindo ensiná-la e já bateu aquela culpa que me é tão peculiar. Conversei com a escola, com uma amiga psicóloga, com uma gastroenterologista (a Manu tem o intestino preso) e no final, cada um me falou uma coisa, mas todas diziam para que não tivesse pressa, ninguém chega à faculdade de fraldas, brincavam comigo.

Decidi fazer do meu jeito e vou listar aqui passo a passo como começou o processo de desfralde da Manu:

1) COMPREI UM PENICO.
Quando a Manu completou dois anos e dois meses eu comprei um penico que tinha uma “descarga” que tocava música, nessa fase ela não usava para o xixi, parecia mais um brinquedo para ela. Eu contava para o que servia, sentava no vaso de adulto e ela sentava no pequeno, mas não fazia nada só brincava. Pressão zero, a ideia era que ela achasse o seu troninho algo divertido.

2) XIXIS ESPORÁDICO. Por conta do pinico, ela começou a fazer vez ou outra um xixi nele e ai era aquela festa do papai e da mamãe por causa do grande feito. Eu comecei a perguntar se ela queria ir ao banheiro, mas percebi que ela se acanhava quando eu questionava, então parei de pressionar.

3) ADAPTADOR DE ASSENTO E BANQUINHO. Fiquei imaginando se o fato de não usar o vaso dos adultos pudesse gerar um desinteresse em desfraldar nela. Então, levei minha pequena até uma loja e pedi para ela me ajudar a escolher o assento e o banquinho que ela quisesse. Em casa foi uma festa, ela sentava no vaso, usava o banquinho para tudo, mas xixi que é bom ainda era raro.

4) LIVROS DE DESFRALDE.
Se eu posso dizer que algo ajudou muito foram os livros de desfralde. Comprei 3 histórias lúdicas sobre o tema e a Manu só podia ler no banheiro sentada no seu pinico ou no vaso com o adaptador. Ela amou e me fazia ler e reler os livros, eu passava mais ou menos 15 min com ela, muitas vezes para zero número 1 ou número 2, mas o foco era explicar como era legal ser “mocinha” e não usar fraldas e não pressionar.

5) MURAL DO XIXI E COCO. Quando a Manu começou a ir com mais frequência ao banheiro, eu comprei um mural bem ilustrativo para “premiar” o xixi ou coco no troninho. Ela ganhava um adesivo por uso do banheiro e eu sempre dizia que quando ela começasse a pedir por vontade própria, ela pararia de usar fraldas e poderia usar calcinhas muito bonitas. Ela adora e fica super feliz quando ganha seus adesivos.

6) CALCINHAS COM PERSONAGENS FAVORITAS.
A Manu curte muito a Peppa, então comprei três calcinhas da porquinha e a minha filha ficou louca pelas peças, queria muito usar. Eu a deixei colocar vez ou outra por cima da fralda, como se fosse um cobre-fralda, mas na maioria das vezes eu dizia que ela só poderia usar quando ela começasse a pedir para usar o banheiro.

7) A MANU NÃO USA MAIS FRALDA. Foram muitas as etapas e parece que foi muito trabalhoso né? Porém eu te garanto que não, pois foi como não tínhamos pressa ou pressão, foi tudo muito tranquilo e natural. No dia 25/12, depois de mais ou menos 7 meses com esses passos de formiguinha, depois do almoço de natal, minha pequena falou “a Manu não usa mais fralda” arrancando a roupa e a fralda. Decidimos apoiá-la e elogiamos muuuuuuito a conquista dela.

PS: Foi aqui que eu descobri que a decisão nunca foi minha, ela é quem sabia quando seria o momento certo, eu ajudei, claro que sim, mas se eu tivesse pressionado, se eu tivesse feito as coisas de forma radical e antes do tempo eu apenas teria feito minha pequena sofrer.


8) TUDO RESOLVIDO?
Claro que não é tão simples né, funciona de um jeito muito diferente com cada criança e a Manu ainda está se adaptando a nova fase, ainda rolam acidentes e estamos começando a tirar a fralda do soninho. Preciso sempre perguntar, pois ela se esquece de falar que quer fazer xixi ou coco e fico sempre atenta para perninhas cruzadas e carinhas de quem está segurando algo.

9) ME AJUDOU MUITO.


a. Calcinhas de personagens

b. Livros de desfralde.

c. Tapete absorvente de desfralde (uso no banco do carro, supermercado, para o soninho fora de casa...).

d. Pinico portátil que funciona como adaptador de assento ou um vasinho (em breve eu mostro essa revolução na minha vida).

e. Calcinhas de desfralde, que seguram os acidentes naqueles momentos que não temos como correr para o banheiro.

f. Saquinhos na bolsa para guardar as peças molhadas.

10) NADA DE ESTRESSE.
Os pequenos precisam sentir a nossa confiança neles, pois se eles percebem o nosso nervosismo se sentem muito pressionados e não conseguem assumir o controle que precisam para desfraldar. Não se preocupe com o que os outros dizem, não tem idade certa ou errada, cada criança tem um ritmo. Os pequeninos sabem quando estão prontos e pode ter certeza que eles nos dizem quando se sentem seguros. Oriente, incentive e fale sobre o assunto com seu filho, mas deixe as coisas acontecerem no movimento delas, vai ser infinitamente menos caótico do que parece.