quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

E quando quem precisa do abraço é a mãe?

Essa semana eu li um texto bacana que rolou na internet sobre a teoria do abraço nos momentos de birra. Uma mãe descrevia sua odisseia entre tirar a filha da casa da vó e levar para a sua, incluindo todos os ataques de histeria da pequenina.

Eu curto esse lance do abraço, prático aqui em casa e na maioria das vezes da muito certo. Só que eu preciso ser sincera, eu não sou santa, não sou a rainha da calma, tenho TPM, dias ruins e por ai vai. Tem dias que quero discutir, quero ensinar, quero impor limite ou quero simplesmente sentar e chorar diante do esperneio da minha filha.

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Nem sempre eu consigo ser esse exemplo de mãe educadora, que agracia os filhos com abraços, voz calma e baixa, sorrisos e compreensão. Em alguns momentos discuto como se eu tivesse a idade dela, perco o rumo, elevo a voz e se bobear, tenho meu próprio ataque de birra.

Não tenho orgulho disso sabe? Queria ser a mãe do outro texto, mas não sou e me exercito para ser uma mãe melhor e me arrependo quando não consigo ser tão madura quanto deveria. Seguindo a ideia do outro texto eu vou contar como foi o meu dia de ontem:

17h – Busco a Manu na escola, falo que vamos para natação e ela fica toda animada.

17h30 – Chegamos à academia, começamos a nos preparar, ela troca de roupa sorrindo, se prepara parta ir para piscina.

18h – Se prepara para entrar na piscina, começa o aquecimento com amiguinhos.

18h10 – Vai começar a aula, a assistente vem pegar na mão da Manu para ela ir com ela para a turminha dela e ela já se retrai. Aproximamos-nos do professor e ela resolve que não quer entrar na piscina, quer ir para o lado fundo ou para o outro lado da piscina.

18h25 – Tentamos diversas argumentações, pergunto se ela quer ir embora e ela diz que não, diz que quer entrar na piscina, daí quando chega na borda diz que não quer.

18h30 – Decidia, eu digo que vamos embora então pois ela deve fazer a aula ou ir embora e ela promete que vai entrar e se nega quando nos aproximamos. Quer ir às outras partes da piscina que são fundas e ela não pode entrar.

18h35 – No meu limite, digo que vamos embora. Até então estava levando tudo na calma, vamos tomar banho e começa o maior ataque de histeria da história. Ela não gritava, urrava que não queria ir embora e depois que não queria tomar banho. Eu não tinha como abraça-lá com ela toda molhada e naquele momento eu não queria. Queria era sentar no chão e chorar.

18h45 – Vamos nos trocar e percebo os olhares julgadores sobre mim, como se eu não estivesse cuidando bem da minha filha já que deixei chegar nesse ponto de estresse.

19h – Arrasada e muito cansada viemos embora para casa, Manu ainda chorosa repetia que queria ir para a piscina e fazer aula. Eu tentando explicar, mas sem achar mais argumentos, pois mente e corpo estava exaustos.

19h30 – Manu corria pela casa como se nada tivesse acontecido, brincava, dava risada, bateu um pratão de comida e ficou um doce.

Assim, sem explicação e sem abraço ela ficou bem, de repente nada tinha acontecido, na verdade, nada aconteceu mesmo, foi uma birra por um motivo que muito provavelmente ela nem lembrava mais.

No final de toda essa história fiquei cansada e frustrada, precisando de um longo abraço, porque sim, acho que vez ou outra quem precisa de abraço é a mãe e não só a criança. Eu sei que eu não sou a única que passa por isso, sem coitadismo, mas eu também preciso de apoio e de colo, alguém precisa dizer que vai ficar tudo bem, não da para me fazer de forte e perfeita o tempo todo. Eu também choro quando tenho dodói...

Um comentário:

  1. Antes de ser mãe, meu pensamento era: "Essa mulher não sabe criar a criança. Filho meu não vai agir assim."... Hoje, mãe de duas crianças, boadrasta de outra, meu primeiro pensamento ao ver uma cena de birra gigante é: "Estamos juntas, querida. Não desista!". É froid receber aquele monte de olhar de reprovação, fora as cabeças se movimentando em sinal negativo para nos mostrar que o erro está em nós... Quero lhe dizer que, hoje, minha Juju tendo 05 anos e agindo como uma adolescente cheia de birras e manias, eu posso lhe dizer: esquece o povo e continue a educar sua filha. Ela vai lhe agradecer depois. Boa semana.

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