quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Filha, me perdoa por esse mundo doente.

Vendo recentemente as notícias sobre o assédio à criança de 12 anos, participante do Master Chef Junior Brasil, me deu um nó na garganta que talvez só a mãe de uma menina possa saber como é. Tenho um medo gigante desse mundo e do que minha filha vai ter que enfrentar, pedófilos, abuso no transporte público,  assédio sexual, disparidade salarial e muitos etc´s. Tenho que rezar e torcer para que ela não entre em uma relação amorosa de opressão e violência e agradecer por ela não ter nascido em um país onde as mulheres se casam aos 5 anos de idade.

violencia

Fonte: https://www.facebook.com/vitortegom/photos/a.232922050183626.1073741828.232492200226611/625104930965334/?type=3&fref=nf

Você mulher e principalmente homem, pai, irmão, primo, tio, amigo, extraterrestre... não importa quem você é, mas você tem a obrigação de ser FEMINISTA. Antes de explicar o porquê dessa afirmação, vale você saber que 80% dos casos de pedofilia são contra meninas, 48% dentro de casa por um familiar ou parente. Chegamos ao absurdo número de 70 denúncias por dia ou seja, 3 crianças por hora.  (http://noticias.r7.com/cidades/governo-federal-recebe-cerca-de-70-denuncias-de-abuso-contra-criancas-por-dia-18052015).

Sendo assim, com números, podemos entender que não é só contra a criança, a origem do crime está relacionado também com o fato da criança ser menina. E neste ponto vem a questão cultural de superioridade que esses homens acreditam que têm e que torna OK desejar uma criança. Não é culpa da roupa, dos pais que não controlam o que a menina faz, da menina que sentou assim ou assado, porque ela chupou sorvete, brincou de bola ou por que usou roupa de banho na praia. A culpa não é da vítima é do opressor. Vamos repetir juntos: A CULPA NÃO É DA VÍTIMA. O HOMEM NÃO É UM SER FRÁGIL OPRIMIDO PELA MAÇÃ DA EVA.

Entendam amigas e amigos, ser feminista quer dizer lutar pelos direitos de igualdade que respeitem as diferenças entre ambos os sexos. Somos diferentes sim, claro que somos, mas nossos direitos não são. Por isso, nos juntamos em um movimento e demos o nome de feminista. Lutamos para que a mulher seja respeitada, para que ela não precise ter medo de andar na rua e não apenas de ser assaltada mas de ser ainda violentada. Para que a criança não seja abusada  e por ai vai. É discutir e argumentar contra as culturas opressoras que ainda impedem as mulheres de estudarem como a talibã (lembra da Malala?) ou de trabalharem como em muitas cidades da china.

Como fazer isso? Homens repensem suas atitudes e dos seus amigos, mostre quando eles estiverem sendo escrotos com uma mulher. Não digam para seu filho ser o pegador, ensinem-o a respeitar as mulheres. Na rua, fique atentos quando virem uma moça e defendam-a caso alguém tente algo contra ela. É da sua conta se ela estiver sofrendo violência doméstica (vale psicológica também).

Enfim, se você é contra tudo isso, você é FEMINISTA. Ser feminista não tem nada a ver com mulheres serem superiores ou odiarem os homens, pelo contrário é uma luta justa e verdadeira pelos direitos de igualdade. As mulheres que se mostram com raiva, pregam esse discurso por estarem muito machucadas após tanta violência e descaso, mas não representam o espírito do feminismo, apenas o da dor que gerou o movimento.

Eu não queria ser feminista, não por não acreditar no ativismo, mas porque é absurdo ainda ser necessário pedir para viver em paz, pelo simples fato de ter nascido mulher. Porém, quando olho para minha filha e para a pequenina que vi recentemente sofrer ataques cibernéticos desses porcos, eu tenho mais certeza de que essa é minha causa e sua também.

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