terça-feira, 16 de junho de 2015

Papo de Especialista: Amamentar é um método anticoncepcional? Posso tomar pílula durante a amamentação? Veja as respostas para essas e outras perguntas.

Na semana passada, fui convidada pelo laboratório Libbs (muito obrigada pelo carinho) para participar de uma roda de conversa com a pediatra e consultora internacional de amamentação pelo IBLCE/EUA (International Board of Lactation Consultant Examiners), Luciana Herrero.

Luciana Herrero mostra amamentacao

Eu que normalmente sou muito cética e reativa diante das “verdades absolutas” que muitos especialistas em amamentação costumam dizer, fui positivamente surpreendida por uma profissional que respeita o que é possível e afirma que se pode “amamentar” até com uma mamadeira.

Ela atua com a missão de diminuir as estatísticas, tentando entender e resolver com carinho os nossos problemas nesse ato de amor que e a amamentação, mas que nem de longe é tão simples quanto as campanhas publicitárias pregam.

Ela formou uma equipe de especialistas e atua orientando as mamães gestantes e as que já estão com o bebê no colo com o aleitamento. Ela garante que o sucesso nesse ato de amor e vida está relacionando a informação, por isso afirma que a amamentação começa na gestação. “A insegurança e os anseios sobre os cuidados com o bebê são comuns principalmente nas mães de primeira viagem. Mas, a confiança vem quando a mulher busca aprendizado antes mesmo do nascimento do bebê. Ela fica mais tranquila quando sabe o que esperar de cada etapa, e como lidar com os possíveis desafios”, explica.

Na roda de mamães, eu era a única que havia amamentado por pouquíssimo tempo, por isso levantei muitas questões, até para entender melhor onde eu posso acertar mais em outra gestação. Sabe que mesmo já tendo passado por isso, ainda tenho muitas dúvidas. São tantas as fontes informais (avós, amigas, mãe...) e formais, que no final fico perdida.

Roda de conversa

Segundo dados oficiais, apesar da grande maioria das mulheres desejar amamentar, depois do parto, a realidade costuma ser bem diferente. A médica conta o motivo. “Isso ocorre, pois, a realidade prática da grande maioria das mulheres no pós-parto não é como mostram os filmes e as novelas de televisão, de puro romantismo. Existem os tropeços iniciais no ato de amamentar, tais como fissuras, empedramento, solidão e mastite. Não devemos esconder esta realidade das gestantes. Ao contrário, devemos prepara-las desde a gestação para enfrentar o que der e vier. Pois a diferença entre o sucesso e o fracasso da amamentação não esta na ausência de dificuldades, mas sim, na habilidade da mulher e da família de lidar com os desafios naturais que envolvem a amamentação. Esperar a chegada do bebê para lidar com os problemas é como lidar com o leite derramado no fogão. O ideal é baixar a fervura desde a gestação, por meio de conhecimentos adequados”.

Uma coisa linda que eu ouvi da Dra. Luciana Herrero neste bate papo e que eu diria para todos os parceiros (ou parceiras) das novas mamães é  “a mulher só amamenta quando é amamentada”. Como assim? É simples, a responsabilidade pela amamentação é 50% do parceiro e 50% da mãe. A mulher precisa de amor, carinho, de calma, de ajuda, de compreensão (não é auto-ajuda é ciência, no momento que se sente amparada e relaxada a mulher libera os hormônios necessários para o sucesso do aleitamento).

Por isso, não adianta se fingir de surdo quando o bebê chora e continuar dormindo nas mamadas noturnas ou achar que como não foi você que pariu que a responsabilidade não é sua.

Perguntas durante o bate-papo e respostas da Dra. Luciana:

1. Desmame: segundo a pediatra, ele deve ser feito aos poucos, como um processo de adaptação e respeito ao tempo da mãe e do bebê, pois além de um ato de alimentação tem forte relação com o emocional de ambos.

2. Pós-desmame: o peito da mãe é como um objeto de transição e conforto do pequeno, por isso, muitos ainda gostam de pegar no seio materno após o desmame para se sentirem seguros. O ato não deve ser coibido (claro que pode ser controlado), pois a criança não entende aquilo como “sexual”, mas sim com toque e carinho.

3. Cobrir o rosto da criança durante a amamentação: inúmeras pesquisas mostram que o contato olho no olho durante o ato alimenta tanto quanto o leite. É por isso que cobrir o seu bebê pode ser altamente prejudicial para a saúde dele pois aumenta o risco de autismo e depressão infantil.

4. Posso tomar injeção anticoncepcional durante a amamentação? Talvez, mas é preciso muito cuidado, pois o nosso corpo muda muito depois do parto e por isso pode reagir diferente aos hormônios da pílula, principalmente uma dose “cavalar” como a da injeção.

5. Cerveja Preta aumenta a produção do leite? Nenhum estudo conclusivo consegue mostrar que ela traga algum benefício. Porém, inúmeros mostram fatores prejudiciais para o bebê no caso do consumo de álcool pela mãe.

6. Comida “forte” aumenta produção de leite? Nenhum alimento e nenhuma fonte de gordura consegue aumentar a produção de leite, apenas o consumo de água é um fator que trás resultados reais.

7. A atividade física pode diminuir a produção do leite. Mentira! O leite não fica estocado na mama, por isso não azeda se “chacoalhado” durante a prática de um esporte. O que pode acontecer é mudar um pouco o gosto do leite no caso de uma mãe que correu uma maratona ou exerceu uma atividade de plena exaustão.

Sete mitos e fatos sobre amamentação

1. Amamentar é um método anticoncepcional 100% viável para todas as mulheres.

Mito. Algumas mulheres podem voltar a ovular mesmo no período da amamentação quando o ciclo menstrual está bloqueado devido à supressão dos hormônios. E para que funcione é necessário que a amamentação seja exclusiva com as mamadas muito frequentes, com curtos intervalos entre uma e outra. Como esta rotina não é para todas, o ideal é que ela já comece a adotar algum tipo de método contraceptivo a partir da sexta semana após o parto. Logo no primeiro retorno ao ginecologista, o ideal é que a mãe converse sobre o método mais adequado para evitar uma nova gravidez em pouco tempo. Ele irá orientá-la sobre o uso de camisinha, DIU, implantes ou até mesmo as pílulas de progestagênio, que são as mais indicadas para esse período.

2. A mulher que está amamentando pode tomar qualquer tipo de pílula.

Mito. Para ajudar nessa resposta, a Dra. Luciana ouviu o especialista em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Achilles Cruz. Ele explica que existe uma pílula anticoncepcional desenvolvida especialmente para as mamães que estão amamentando. São compostas de progestagênio, hormônio que inibe a ovulação. Conhecidas como minipílulas, elas podem ser tomadas a partir da sexta semana depois do parto. Como são livres de estrogênio, não inibem a produção de leite materno nem tampouco interferem na sua qualidade e volume. Outro benefício é que seu princípio ativo não passa para o leite, não alterando seu gosto ou qualidade. E, então, você terá segurança dupla. Primeiro quanto ao seu filho e depois com uma nova gestação durante essa fase. Segundo o médico, as mulheres que estão amamentando não podem usar as pílulas comuns, chamadas hormonais combinadas, porque podem diminuir a quantidade do leite além de transferir o hormônio feminino para ele e, consequentemente, para a criança.

3. Engravidar enquanto está amamentando é benéfico

Mito. Não existe um intervalo estabelecido entre uma gravidez e outra, porém, é aconselhável que a mulher não engravide enquanto estiver amamentando, porque a sobrecarga da amamentação somada a uma nova gestação pode comprometer a saúde da mãe, caso ela não tenha uma condição nutricional adequada.

4. A alimentação da mãe influencia o leite.

Verdade. Tudo o que a mãe come acaba passando para o leite materno. Por isso, é importante que a mulher faça uma dieta saudável e beba bastante líquido nesse período. O consumo de bebidas alcoólicas ou cigarros é contraindicado. Medicamentos, por exemplo, só devem ser tomados com orientação médica.

5. O leite materno pode ser fraco

Mito. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, muitas mulheres têm essa percepção porque comparam seu leite ao da vaca que é mais denso e consistente, tem moléculas maiores e sua digestão é bem mais lenta. O leite materno tem 97% de água e, por isso, é facilmente digerido e logo o bebê sente fome novamente. Além disso, o leite humano é composto por células vivas que transferem para o bebê a imunidade materna aos agentes infecciosos. Os glóbulos brancos presentes nele levam os anticorpos da mãe para o filho. O que poucas mulheres sabem é que quando o bebê começa a sugar, o leite materno tem maior concentração de água mesmo, é normal, é chamado de “anterior”. Nessa fase, ele contém ainda vitaminas, minerais e anticorpos. Após um tempinho de mamada, começa a descer o leite que chamamos de “posterior”, que é mais rico em gordura, que fornece mais energia e permite que o bebê fique satisfeito e ganhe peso. Por isso, a recomendação é que a mãe ofereça um seio por mamada, ou seja, que a mamada não seja interrompida até que o bebê consiga ingerir bastante quantidade do leite posterior, que tem mais gordura. Somente depois de esvaziar uma mama, se necessário, o outro seio deve ser oferecido, o que normalmente com bebês maiores, que já mamam muito. Desse jeito você garante que o bebê retire do peito o leite anterior, rico em água, e o posterior, rico em gordura.

6. Seio pequeno não produz leite

Mito. O tamanho do seio não tem influência nenhuma no sucesso da amamentação! O que faz a diferença no tamanho dos seios não é a quantidade de glândulas, mas a quantidade de gordura de cada mama. As células produtoras (glândulas mamárias) e os ductos de leite são os mesmos em todas as mulheres, até mesmo naquelas que fizeram cirurgia plástica para colocar prótese de silicone. Só no caso de cirurgias redutoras é que este número pode ser reduzido. É mito associar tamanho de seio com fartura de leite. O processo de produção do leite começa durante a gravidez quando o tecido glandular já começa a ser preparado. Por isso, os seios vão ficando maiores principalmente no final da gestação. Após o parto, a resposta hormonal estimula as glândulas mamárias a produzir o leite e a conduzi-lo por meio dos seios até o bico para que o bebê possa mamar. A produção aumenta gradativamente. Assim, a quantidade de leite que seu filho vai receber depende das suas próprias necessidades, e de quanto a mama seja estimulada adequadamente. Quanto mais ele sugar, mais leite será produzido.

7. Estresse influencia a produção de leite.

Verdade. Quando a mulher está muito cansada ou ansiosa, a produção do hormônio ocitocina, que é o responsável pela vasão do leite, é reduzida. O que pode prejudicar a descida do leite, e em casos graves até secar o leite!

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