sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

João ou Maria... Helena ou Alexandre?

Por Kelly Nogueira Pimenta

A chegada de um novo membro à família é motivo, em geral, de muitas alegrias e comemorações. Em torno desse novo ser instala-se uma constelação de significados, projetados pelo meio que o receberá.

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O nome definirá o lugar no qual esta criança será inserida no meio familiar. Mas como, podemos pensar, um simples nome já define o lugar da criança? Ao realizar suas escolhas quanto ao nome, os pais já apontam simbolicamente, suas ambições e expectativas em relação ao novo sujeito, é o ideal de criança projetado desde o ventre materno.

Tomemos como exemplo crianças que carregam o nome de seus pais, cuja intenção é a de homenagem por parte da mãe, sejam eles, Matheus Almeida Junior ou João Paulo Cardoso. Comumente, chamados de Junior ou de Paulo, e quando questionadas as mães afirmam que o chamam de Junior ou Paulo (segundo nome), porque o primeiro nome é o do pai. Veja a ambiguidade, pelo mesmo motivo que lhe é dado o nome, lhe é também retirado.

Então, não posso atribuir o nome que desejo a meu filho, para homenagear a alguém? Não é isso que pretendo alertar ou afirmar nesse artigo, cada pai ou mãe tem amplo direito de escolha e homenagem, mas deve tomar o cuidado para atribuir um lugar no seio familiar que seja peculiar e único da criança. Lugar esse que dê amplo direito a criança de crescer, aprender e ser de acordo com suas potencialidades e expressividades, tendo em mente que para pensar novas ideias ou dizer coisas novas, temos que desarmar nossas ideias feitas e misturar as peças. Cabendo a nós, adultos responsáveis, permitir a nossas crianças essa mistura constante de peças.

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