sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A escola pública: uma escolha possível

Por Lilian Tavares

Escolher a escola das crianças não é uma tarefa muito fácil e cabe à família decidir quais os critérios a serem adotados nesta difícil decisão. Percebo que há uma grande resistência por parte das mães quando o assunto é escola pública e por este motivo quero compartilhar com vocês minha experiência com os CEIs (nomenclatura utilizada pela Prefeitura de São Paulo para creches).

Houve um tempo em que os Centros de Educação Infantil eram um serviço social para garantir o direito da mãe trabalhadora. Nesta época, as profissionais que atuavam com as crianças eram leigas e não havia uma preocupação com a qualidade pedagógica do atendimento às crianças pequenas.

No entanto, tudo mudou. Estas unidades educacionais foram vinculadas à Secretaria de Educação, de forma com que houvesse a obrigatoriedade da formação pedagógica aos então professores e estes espaços foram entendidos por lei como a primeira etapa da Educação Infantil e como um direito de TODAS as crianças.

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Acho importante este breve resgate histórico para que possamos compreender a trajetória destas instituições, da mesma forma que é importante saber que todos os professores da prefeitura que atuam na primeira infância são, em sua maioria, profissionais graduados ou até mesmo pós graduados, o que desmistifica um pouco aquela impressão de que “qualquer um” pode dar um banho ou trocar a fralda de um bebê.

Pois bem, vamos à minha experiência. Tenho um filho de quatro anos que está matriculado na rede municipal desde seus nove meses e durante todo este período permaneço plenamente satisfeita com o desenvolvimento do meu pequeno.

Desde o berçário acompanho o trabalho desenvolvido que no início era pautado em estimulações sensoriais, ampliação do repertório de músicas e conhecimento de si e do outro. Porém é neste último ano, com meu filho mais falante, que consigo perceber cada projeto desenvolvido pelas professoras.
Os projetos são bastante variados e justificam a carga horária da jornada de trabalho que é destinada para isto. Todos os dias meu filho me conta sobre a história que foi lida, o assunto da roda de conversa, que passa por temas como diversidade, folclore, profissões, dentre tantos outros assuntos.

Teve uma época em que o meu sapeca não parava de contar as coisas. Não podia ver um pedaço qualquer de barbante que já começava a medir as coisas. Não deu outra: o projeto do mês tinha sido conhecimento matemático!

Além disso, há as atividades externas, o projeto “Aniversariantes do Mês”, os brinquedos novos comprados todo mês, o baú de fantasias. É tanta coisa que às vezes meu filho chega a dizer que queria ficar um pouquinho mais na escola. Vê se pode…

É claro que nem tudo são flores. Como professora que sou, sei que o elevado número de alunos por sala nas escolas públicas dificulta em muito a possibilidade de uma atenção verdadeiramente próxima às crianças. Na sala do meu filho ficam dezoito pimpolhos serelepes para apenas uma professora.

Esta é minha única queixa, que infelizmente não parece estar muito próxima de ser solucionada. No entanto, sei que todos ali fazem seu melhor e que a escola em nada perde para uma instituição particular de ensino. Tenho um “pé atrás” com algumas práticas vistas em algumas escolas privadas de Educação Infantil e posso dizer o porquê, mas isso ficará para um próximo post...

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